Era só reboco velho, virou resistência

O artista Alexandre Farto começou no graffiti mais ou menos nos anos 2000. Vhils, como é conhecido, tem investido numa técnica que consiste em “rasgar” paredes esculpindo retratos em prédios antigos ou abandonados. O projeto Scratching the Surface foi apresentado a primeira vez em Lisboa no ano de 2007, no ano seguinte no Cans Festival em Londres sendo considerado uma das abordagens mais atraentes na arte contemporânea.

A complexidade do trabalho impressiona por ser despretensiosa, o que era uma parede feia transforma-se numa obra de tirar o fôlego. Personagens desconhecidos mas carregados de expressividade, marcas do tempo deixadas no rosto se reconfiguram em reboco de parede esculpido em proporções enormes. A erosão provocada pelo artista questiona a nossa relação com o crescimento urbano das grandes cidades, dialoga com a invisibilidade, frieza e grita resistência.
Vhils cresceu num subúrbio português marcado pela presença de indústrias e por grandes transformações provocadas pelo desenvolvimento urbano nos anos 1980 e 1990. Encontrou nas paredes um espaço perfeito para falar sobre mudanças sociais, fazendo do seu trabalho algo que pode ser chamado de destruição criativa e expondo o que está além da superfície das coisas.

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