Como escrever “cristão” em japonês

Neste mês de fevereiro, completaram-se os 420 anos da morte dos 26 Santos Mártires do Japão (1597). Como todos foram canonizados pela Igreja Católica, todos são considerados santos, mas nem todos são japoneses. Faço questão de esclarecer isso porque vez por outra a gente encontra quem se refira a eles como os “26 Mártires Japoneses” (a lista completa dos nomes pode ser encontrada aqui). Também não foram os únicos mártires em território japonês: houve muitos outros, dos quais alguns foram beatificados, mas santos E mártires foram apenas estes 26. O monumento e o museu em homenagem a eles fica em Nishizaka, na cidade de Nagasaki:

A cidade de Nagasaki geralmente é lembrada por causa da bomba atômica. Nem todo mundo conhece as outras marcas do Ocidente na cidade, especialmente quando falamos dos efeitos da chegada dos primeiros cristãos ao Japão. No século XVI, junto com os comerciantes, chegaram também os missionários – primeiramente os jesuítas, depois os franciscanos  e os de outras ordens e, mais tarde, com a vinda dos navios da Companhia das Índias Orientais, chegaram também cristãos protestantes. Misturar comércio e religião em um país já dividido, em pleno período 戦国 Sengoku  (literalmente “país em guerra”), tinha mesmo que dar errado. Afinal de contas, tudo derroca na disputa pelo poder: começaram os conflitos, os éditos probitivos, as perseguições, as prisões, os martírios. Para quem se interessa em pesquisar este assunto com mais profundidade, há vários trabalhos acadêmicos sobre o assunto (um deles pode ser acessado aqui).

Mesmo com tanta perseguição, muitos cristãos continuaram guardando a fé em segredo (os chamados 隠れキリシタン kakure kirishitan, “cristãos escondidos”), transmitindo-a aos descendentes. Depois de oficialmente encerrada a política de isolamento do governo japonês, já na segunda metade do século XIX, estes cristãos passaram a assumir publicamente sua fé. A Basílica de Ôura (大浦天主堂 Ôura tenshudô), em Nagasaki, cuja construção foi concluída em 1864 sob a liderança de dois padres franceses que foram ao Japão no intuito de construir uma igreja dedicada aos 26 Mártires, inicialmente contou com a frequência de “cristãos escondidos”.

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