CADU E MARI – A. C. MEYER

“Uma angústia toma conta do meu peito e fico pensando por que eu estava indo para casa se tudo o que queria era ficar com ela. Sim! Eu queria ficar colado nela o máximo que pudesse. Sentir seus beijos, seu corpo contra o meu, ouvir sua risada e vê-la adormecer novamente. Decidido, ligo o alerta e faço o retorno mais próximo, em direção à casa dela. Sorrindo, chego à conclusão de que essa foi a minha melhor ideia de todos os tempos!”

Cadu e Mari é o primeiro romance de A. C. Meyer ambientado no Rio de Janeiro, esta cidade de inúmeros contrastes, onde a poucos metros de distância é possível encontrar pessoas de universos muito distintos, e que fora das páginas de um romance talvez não imaginassem verdadeiramente se encontrar.

E pra falarmos desse amor de além-mar (ou melhor, para além do túnel que divide a cidade), é preciso dizer que Cadu e Mari são personagens que carregam em suas atitudes e personalidades um pouco da característica dos bairros em que habitam: por exemplo, é bem comum o hábito do esporte e da aparência-de-verão nos jovens de regiões litorâneas, assim como o costume de se divertir pelos diversos bairros que contornam o balneário; já para o habitante da zona norte (ou seja, aquele que precisa pegar um bom trânsito ou pelo menos metrô e ônibus para chegar até a praia), é bem maior o lazer e convívio em sua própria vizinhança, especialmente quando há essa proximidade de quarteirão entre famílias e melhores amigos – afinal, nada como uma conversa na praça, no portão de casa ou no barzinho da esquina. E como esse contraste entre a capital e o interior é uma característica comum à maioria de nossas cidades, este é um dos primeiros pontos que irão aproximar o leitor da história de Cadu e Mari, personagens cujo cotidiano e dramas são assim bem parecidos como os nossos, inclusive quando o amor resolve atravessar o caminho.

À primeira vista, se nos concentrarmos apenas na sinopse do livro, é bem provável que algum capítulo de novela venha à nossa mente (e não apenas pelo encanto da paisagem carioca, mas pelo conhecido enredo do “desejo proibido” vivido por seus personagens), e com ele as seguintes perguntas: é possível viver um romance legítimo em meio a diferenças sociais e estreitas relações de trabalho e poder? E como pode o amor sobreviver aos conflitos e ambições cotidianas, assim como às opiniões e preconceitos de nossos familiares e amigos? Cadu e Mari é com toda certeza uma história que fortalece o que há de bom do amor, porém, assim como em diversos momentos da série After Dark, A. C. Meyer nos traz de volta à crueldade das relações humanas, e a cada capítulo nos lembra o quanto somos vulneráveis, sujeitos às impressões do próximo, e sempre fugindo ao que o nosso próprio coração aos gritos tenta nos dizer.

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