A história do Brasil a partir de um útero

A poetisa Luiza Romão lança em seu segundo livro, Sangria, uma reflexão sobre a construção da dominação masculina e do patriarcado em terras tupiniquins. Se você não faltou às aulas de história no colégio deve lembrar que o primeiro produto interno bruto largamente explorado por nossos colonizadores era o Pau Brasil, que acabou dando nome ao país de dimensões continentais. Não é errado notar que o Brasil nasce a partir de um termo fálico.

Luiza faz uma alegoria dos ciclos econômicos que marcaram a nossa história (borracha, café e ouro) com os ciclos biológicos do útero (ovulação, menstruação e concepção). Desde o período colonial o povo habituou-se a ouvir que figuramos o país do futuro, mas precisamos lembrar que nossa nação parece viver uma gestação impossível de chegar ao fim. Todas as vezes que estamos perto de experimentar uma sociedade mais popular e mais igualitária nos deparamos com golpes de estado, como abortos forçados ou pílulas do dia seguinte. A partir daí autora se opõe a figura do patriarca com a mãe solteira, a mulher para lida, àquela para a farra e a mulher oficial.
Foto: Sérgio Silva | Arte sobre a foto Luiza Romão
O livro que será publicado em português e espanhol conta com 28 poemas, assim como os dias de um ciclo menstrual completo, cada um com fotografias do corpo da autora. Pés, seios, boca, punhos, todos possuem uma intervenção em costura e aplicação de materiais metálicos como correntes, chaves, colheres, aplicados com ajuda de uma linha vermelha construído performance visual sobre silenciamento histórico da mulher através das imagens em preto e branco do fotógrafo Sérgio Silva.

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