As coisas boas que ficaram

Abri um daqueles aplicativos que servem só para a gente lembrar do que não deve, como sempre fazia, todos os dias. Até então, tudo em ordem. Já fazia um tempo que não mantínhamos contato, entre um ou outro comentário sobre o que compartilhávamos. Maturidade – pensava eu. A vida é assim mesmo, ela segue e nós também.  Sem rancor, sem mágoa, sem necessidade de ofender ou excluir uma pessoa de vez da vida. Mas não naquele dia. Aquele dia havia um nome diferente marcado. Tudo bem, é uma amiga – pensei. Nada demais. E mesmo que tivesse: tudo bem. Maturidade. Maturidade. Maturidade. Repeti várias vezes para ver se entrava no cérebro. Vida que segue.

Mais alguns dias passaram, acordei vendo algo tão a sua cara. Ri sozinha, pois imaginei você dizendo exatamente as mesmas coisas. Um pouco rebelde, como se soubesse de tudo da vida e não precisasse de mais ninguém. Na noite anterior, havia lembrado coisas que passamos e o quanto tinha sido legal. As pessoas chegam, nos ensinam coisas e se vão. É o ciclo. Ainda assim, resolvi te marcar na postagem, afinal de contas, nada demais. Maturidade. Só algo para lembrar que mesmo sem contato, as coisas boas ficaram. As risadas sobre o modo como te conheço.

Poucos minutos depois, abri novamente aquele aplicativo, o histórico onde nos mantém informados sobre como anda a vida das pessoas. Ergui as sobrancelhas como alguém que encontra o que não esperava. E pelo leve rebuliço que senti no estômago, provavelmente algo que minha mente preferia não ter visto. Era a sua inicial com a de outra pessoa… e um coração. Paralisei por dois segundos. Fui tentada a abrir novamente, mas me recusei. Bloqueei a tela do celular e fui à minha rotina matinal, como se nada tivesse acontecido. Escovei os dentes, lavei o rosto, tirei o pijama, como todos os outros dias. Mas entre uma dobra e outra da coberta, enquanto arrumava a cama, me vi conversando comigo mesma em mente. Dizia ou ouvia uma voz muito distante falando que já havíamos tido essa conversa antes. Vida que segue. E eu segui.

Atrasada como sempre, eu fui para a faculdade. Conversei com as pessoas como se não houvesse algo bem no fundinho me cutucando, como se eu precisasse rever o porquê aquilo ainda mexia comigo. “Por quê?”, perguntava. “Já não faz mais sentido, não entendo”. E entre uma discussão e outra na sala de aula, me vi com o celular na mão, com toda a minha habilidade em stalkear pessoas. Já sabia da onde era, onde mora, seus infinitos comentários na rede social e que era tão bonita quanto você merecia. Exatamente da forma que gostava. O leve embrulho no estômago não aumentou, mas também não parou.

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