Silêncio – Ana Cristina da Costa

Se o dia pede SILÊNCIO, então eu lhe darei, porque hoje é o Dia do Silêncio em prol da conscientização de todos males relacionados à poluição ao planeta.
Hoje, eu me farei muda, ninguém ouvirá da minha boca um esbravejamento sequer, porque todos os meus gritos estarão vibrando em meu peito.

Estarei chorando de culpa por todos os papéis que joguei no chão, por todas as latas de refrigerantes que atirei pela janela do meu carro, por todos as guimbas de cigarro jogadas por peteleco por aí, por todos os sacos plásticos trazidos do supermercado, por todas as águas desperdiçadas no uso diário de casa, por todos os desodorantes e spray’s que usei contendo CFC (clorofluorcarbono), por não ter querido saber de que maneira tratavam todas as hortaliças trazidas para casa, tão lindas e brilhando diante dos meus olhos, por que não quis saber o motivo do sumiço das abelhas e vaga-lumes, e pelo aumento dos mosquitos em nossas vidas. Pode ser que eu tenha arrancado árvores em demasia, devastado florestas inteiras com incêndio e ganância e provavelmente eu deva ter feito barulho em demasia.

Por tudo que fiz ao meu mundo, darei a ele, a parcimônia de um monge no auge de sua compenetração, estarei serena tanto quanto o sono tranquilizador de um recém-nascido, me farei de paisagem em sua lenta atividade como a um sol no horizonte que se locomove imperceptivelmente.

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